Programa de Formação em Gênero e Comércio

As economias e sociedades latino-americanas se viram fortemente impactadas pelas políticas de abertura econômica e liberalização comercial que foram sendo implementadas nas últimas décadas. O crescimento econômico reduziu e aumentou a vulnerabilidade das economias com episódios de crises e recessão sem precedentes. Nos anos 2000, o crescimento do PIB da América Latina não alcançou o ritmo necessário para compensar o crescimento da população.
O funcionamento do sistema econômico mundial com desequilíbrios persistentes está na base de muitos dos problemas referidos. Apesar dos fracassos em termos de resultados econômicos e sociais, e às críticas surgidas desde diferentes perspectivas, os processos de liberalização econômica e comercial continuam avançando sem as necessárias avaliações de seus riscos e impactos, e com escassa ou insuficiente participação da sociedade civil. No nível dos governos, praticamente não se manejam alternativas à liberalização, mesmo quando esta não mostra ter a chave para o crescimento nem assentar bases para o desenvolvimento.

Na América Latina, as políticas de liberalização e abertura comercial tiveram impactos desequilibrados sobre diversos setores, grupos sociais e por gênero. Setores como as indústrias da indumentária ou alimentos, e os serviços tradicionais, que são importantes empregadores de mulheres, sofrem os impactos negativos da liberalização comercial, com aumento do desemprego, reduções salariais e precarização das condições de trabalho. Por outro lado, o abandono do Estado na provisão de serviços públicos e sociais -que se baseia entre outras causas na menor arrecadação impositiva ante a queda nas tarifas- produz uma sobrecarga do trabalho reprodutivo socialmente designado às mulheres.

As dinâmicas comerciais não propiciam a participação da sociedade civil, nem favorecem a incorporação de propostas ou alternativas a partir dos distintos atores sociais. Por outro lado, a falta de um compromisso claro em relação à defesa dos direitos humanos e o empoderamento das mulheres, e a falta de vontade política para modificar os desequilíbrios de poder nas relações entre homens e mulheres, debilita o potencial dos acordos comerciais e mais ainda, impede que estes se transformem em instrumentos propícios para um desenvolvimento sustentável. É necessário democratizar a tomada de decisões nestes acordos, incorporando as diversas visões e perspectivas da sociedade civil.

A LAGTN se propõe a abrir e alimentar debates sobre as novas situações vigentes na região, o que significa difundir informação fática e conceitual, sensibilizar, capacitar e prover argumentações consistentes para que o movimento social e de mulheres possa incorporá-los em suas estratégias de incidência e questionamento das políticas econômicas e comerciais.

O Programa de Formação em Gênero e Comércio da LAGTN vem se desenvolvendo desde 2002 e inclui:
Capacitação Presencial na modalidade de Seminário-Oficina
Seminários de Capacitação Virtual
Produção de Materiais de Capacitação

Nas suas diferentes etapas estas atividades foram patrocinadas por UNIFEM, WIDE (Women in Development Europe), Oxfam, ActionAide Internacional Americas, o Conselho Mundial de Igrejas, o Instituto da Mulher de Espanha, entre outros colaboradores.

A participação no Programa de Formação em Gênero e Comércio permite:

  • Adquirir e aprofundar conhecimentos sobre economia, comércio e gênero.

  • Integrar uma rede de intercâmbio de informação sobre negociações comerciais em distintos países e regiões da América Latina e experiências de participação e incidência a partir dos os movimentos sociais.

  • Receber ferramentas e assistência técnica para desenvolver ações de replicação da capacitação nos níveis regional, nacional ou local.

    Envie suas consultas para seminariogyc@gmail.com


    Capacitação presencial

    Em novembro de 2003 realizou-se a Oficina Regional de Formação de Formadoras em Gênero e Comércio em Bariloche, Argentina. Do mesmo, participaram 24 mulheres de 11 países da América Latina. Esta oficina foi a replicação regional de um programa global coordenado pela WIDE (Women in Development Europe) e desenvolvido em 9 regiões do mundo.
    Em outubro de 2005 realizou-se o Seminário sobre Gênero e Comércio em Quito, Equador, com a participação de 30 mulheres da Colômbia, Peru, Venezuela, Bolívia e Equador.
    Em 2006 se desenvolveram o 3rde Popular Economic Literacy Training from a gender perspective - "A training for trainers" dirigido a mulheres de todo o mundo, e em novembro do mesmo ano, o seminário sobre gênero e comércio dirigido a mulheres e homens do Cone Sul.
    No mês de março de 2007 se realizou a oficina sobre Gênero, Economia e Comércio em Antigua, Guatemala, onde participaram 25 mulheres da América Central e México.
    Ao mesmo tempo, se realizam diversas atividades de capacitação em nível nacional e local nos países da Região.


    Seminários de capacitação virtual

    Os Seminários de capacitação virtual foram desenvolvidos com o fim de favorecer a construção de redes e alianças para incidir nas temáticas de gênero e comércio, no marco do contexto mais amplo de melhoria das metodologias para a participação democrática. Utilizando as novas tecnologias de informação, pretendem ser um catalisador na construção de redes envolvidas nas negociações comerciais desde uma perspectiva de gênero.
    O Seminário Virtual sobre gênero e comércio se desenvolveu entre Outubro de 2004 e Abril de 2005, convocando um leque amplo e diverso de atores da sociedade civil que reconhecem a importância de incorporar o gênero aos debates e a incidência nas políticas comerciais.
    Acompanhando a Cúpula de Viena (União Européia - América Latina), realizou-se no mês de maio de 2006 uma Capacitação Virtual, com o objetivo de munir de informação as organizações interessadas e de avaliar os resultados da Cúpula.
    Em 2006, também se desenvolveu o seminário virtual "Criação de capacidades para a incidência nas negociações comerciais", focalizado as relações entre a União Européia e a América Latina.


    O Seminario Virtual: Comércio, Gênero e Incidencia Política se propõe a articular em uma proposta metodológica a atualidade sobre as negociações entre a União Européia e a América Latina, a formação em temas de gênero, economia e comércio, e a geração de maiores oportunidades para a incidência política na Região. O mesmo acontecerá entre os dias 10 de maio e 15 de agosto de 2008, com o apoio da Oxfam e do Instituto da Mulher de Espanha.


    LAGTN desenvolveu os seguintes materiais:

  • Fascículos: "Comércio Internacional e Equidade de Gênero", N°s 1, 2 e 3 (em espanhol e português).

  • Cartilha: "Comércio e gênero. A ALCA e outras alternativas de integração americana" (em espanhol e português).

  • Guia para a Incidência: "O Comércio Internacional na agenda das mulheres" (em espanhol).

  • Vídeos "ALCA, Resistir é preciso", e "A descarrilhar a OMC"

  • Publicação: "Programa de Formação em gênero e comércio: O componente virtual".

  • Manual: Os mapas do comércio, Um olhar sobre as geografias cambiantes da América Latina (em espanhol e português).

  • Cartilha "Comércio internacional, agricultura e alimentação" (2007).

  • Publicações sobre os seminários virtuais (2006 e 2007).

  • Série ferramentas de capacitação: Comércio Internacional, Agricultura e Alimentação (2007).

    Os materiais estão disponíveis no site:
    www.generoycomercio.org